Bolha de Sabão

Vi uma enorme bolha de sabão naquela cidade.

Vi algumas mais.

Aquela cidade durou oito tempos e eu me enclausurei na bolha.

O barro puro, sujo do sedimento que ficou, trouxe meu caminho.

Modelei  ideias,  cresci com minhas meninas.

Cuidei para que suas vidas fossem na medida de seus desejos.

Crianças na escola alegraram meus dias.

Funcionaram como uma mola, fui adiante e para cima.

Busquei estudo, li como nunca – havia uma livraria.

Fiz amizades e depois desfiz porque não quis voltar.

Não houve força para um adubo amigo.

Não deixei as raízes por lá. Ficaram os laços de cetim fino.

Porém o jardim veio comigo encabeçando o propósito, soprando estrutura.

Replantei tudo numa pedra grande com tempestades subtropicais.

Com carinho mudei plantas e casas. Móveis e pele.

Um rastro de montanhas e planícies foi se formando.

Pedaços de desejos foram ficando ao vento e polinizando outras flores.

Agora vejo essas bolhas e o vazio que há nelas.

Mas voam, são coloridas e iluminam o olhar de quem vê a foto…

e nem quer saber se ela explode ali adiante.

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